O forasteiro, ao entrar numa padaria
alemã depara-se com uma enorme variedade de diferentes tipos de pão. Está ele
ainda indeciso a contemplar toda aquela variedade e já a empregada lhe está a perguntar o que
deseja. Ele ainda percorre rapidamente a vitrine à procura de algum pão
semelhante ao da sua terra, mas como naquele instante todos os pães lhe parecem
estranhos e para não estar a empatar
mais a clientela, aponta o dedo ao primeiro tipo de pão, que o seu olhar
não rejeitou. “Meia dúzia destes, por favor.” Nos próximos dias haverá tempo
para experimentar os diversos tipos de pão e ir descobrindo os que mais lhe
agradam. Esta poderia ser a experiência de um português na sua primeira visita
a uma padaria alemã, à procura das carcaças, bolas ou papo-secos que todos
conhecemos.
Por aqui também há carcaças à base
de farinha de trigo, à disposição do freguês. Além da carcaça na sua versão
simples, há uma variante coberta com douradas sementes de sésamo, e uma outra com
as negras e minusculas sementes de papoila.
No grupo do pão branco é vulgar ver-se também a baguette, que surge também em
variações, como por exemplo, contendo pedaços de azeitona. Mas é no pão escuro,
essencialmente à base de centeio, que existe uma grande diversidade.
Pode
conter misturas de outros cereais, como aveia ou espelta, ser mais ou menos
escuro, ter no miolo vários tipos de sementes, ter formato de carcaça ou de pão
de forma, ter uma consistência porosa ou compacta, ser coberto com flocos de
aveia, pevides, sementes de girasol, enfim, as variações são
inúmeras. No
entanto, o portuga não irá encontrar por aqui nada que se pareça com a broa de
milho ou broa de Avintes, pois por estas paragens não é usual usar milho para
fazer pão. Vem a propósito referir uma história que se conta sobre a vulgarização do
milho na Alemanha. Diz-se que resultou de um equívoco no diálogo com os
americanos, durante o período de ajuda ao povo alemão, que se seguiu à II
Guerra. Os alemães pediram o fornecimento de cereal ( Korn ), e os americanos entenderam, que lhes estavam a pedir milho
( corn ), tendo fornecido várias
toneladas deste cereal. De qualquer forma o milho e a sua farinha, não chegaram verdadeiramente a conquistar a alimentação germânica.
Consultando o portal de estatística alemão, verifico que mais de metade da
produção actual de milho é destinada à industria das rações, 25% aos biocombustíveis e
apenas cerca de 20% é usada no fabrico de farinha alimentar.
Mas o tipo de pão mais
tradicional desta região é mesmo o Brezel, com o seu formato característico.
Segundo informações que retirei da internet, os ingredientes do Brezel
tradicional são farinha de trigo, malte, levedura, sal e água. A camada
exterior do Brezel é estaladiça e salgada e no seu interior apresenta-se um miolo
macio. Antes de ir ao forno a massa é mergulhada por instantes numa solução de
soda, que lhe confere um sabor característico e a sua cor castanha. Não tenho
conhecimento que esta massa tenha equivalente na padaria portuguesa. O Brezel
tem muita procura por clientes de todas as idades, quer na sua versão simples, quer em versões alternativas, como
seja com cobertura de sementes, com queijo derretido, ou
na versão com manteiga, como se se tratasse de uma sandes. Diga-se de passagem, que é necessária uma boa faca e alguma perícia, para abrir um Brezel ao meio
como se fosse uma carcaça e depois untá-lo com manteiga... O Brezel é usado
para acompanhar uma refeição simples, ou uma bebida ou, pura e simplesmente,
para ir entretendo o estômago até à próxima refeição.
O Brezel é utilizado frequentemente como símbolo de
pão, surgindo como peça decorativa em letreiros ou, como neste caso, em puxadores de porta.
Enfim, a variedade é muita e as padarias têm de facto muita clientela. Certa vez disse-me um colega de trabalho: "Quando vou de férias ao estrangeiro, do que mais sinto a falta é do nosso pão ao pequeno almoço."
No entanto, nos restaurantes, não é usual trazerem uma cesta com pão para acompanhar a refeição. Por isso, o portuga que gosta de molhar o pãozinho no molho, deverá pedir expressamente umas fatias de pão ao empregado. A boa notícia para os meus compatriotas, é que as tais fatiazinhas de pão, não são cobradas. Por isso, é favor não esquecer a gorjeta !
No entanto, nos restaurantes, não é usual trazerem uma cesta com pão para acompanhar a refeição. Por isso, o portuga que gosta de molhar o pãozinho no molho, deverá pedir expressamente umas fatias de pão ao empregado. A boa notícia para os meus compatriotas, é que as tais fatiazinhas de pão, não são cobradas. Por isso, é favor não esquecer a gorjeta !




