O apurado espírito
preventivo alemão (ver crónica “A Prevenção), leva a que sejam estabelecidas várias
proibições, sendo por vezes algumas delas, surpreendentes para o portuga.
“VERBOTEN” é uma palavra
que o forasteiro deverá conhecer para sua própria segurança, pois indica que algo é proibido. Alí é proibido nadar no rio, acolá é proibido
pescar, nas paredes daquele edifício é proibido afixar cartazes e aqui, é
proibido estacionar a bicicleta:
Estas são certamente
proibições comuns, em muitas sociedades europeias.
O que já não parece vulgar aos olhos de um portuga, é que neste parque seja proibido entrar no lugar de estacionamento em marcha atrás:
Aliás, é raro encontrar veículos estacionados de marcha atrás em parques
de estacionamento.
A esmagadora maioria dos condutores entra no lugar de estacionamento de
frente. Mas porque razão é que evitam entrar de marcha atrás? Segundo me
explicaram, é para evitar que o muro ou parede, que se encontra por trás do
espaço de estacionamento fique manchado devido aos gases de escape.
De forma geral, os
condutores alemães, mesmo quando confrontados com as contrariedades do transito
e as eventuais asneiras de outros condutores, têm bem presente, que é proibido
exibir o dedo médio espetado a um outro condutor. Este ou outro gesto ofensivo, tal como bater com
o indicador na testa ou até deitar a língua de fora, são consideradas ofensas
intencionais da honra de um cidadão e puníveis com coima ou até, em casos
extremos, com privação de liberdade (Strafgesetzbuch (StGB § 185) ).* As decisões judiciais sobre ofensas
deste tipo são fortemente dependentes de uma série de circunstâncias e do
próprio juiz, mas não será de estranhar, que o ofensor se veja obrigado a pagar uma multa entre 600
a 1200 € por um dedo médio espetado. Por isso, quem sentir subitamente a
necessidade irreprimivel de exteriorizar um gesto agressivo, será melhor optar pela careta
com a língua de fora, que sempre deverá sair mais barato...
Aqui temos um outro
sinal de proibição pouco vulgar:
neste lago é proibido
alimentar os patos e outras aves. Esta proibição é devidamente explicada num
painel junto à sinalização: “Alimentar estes animais vai enfraquecer o seu
comportamento natural e criar-lhes dependência. Além disso irá contribuir para
o aparecimento de espécies indesejadas, como ratazanas, martas, corvos. Os
dejectos destes animais e o alimento excedente irão afectar a actual qualidade
da água, que foi obtida com assinalavel esforço. Por isso não alimente os
animais.” A justificação é clara e recorda-me que, evitar a criação de
dependências, é um princípio muito válido, e que tem aplicação em muitas áreas
do relacionamento humano...
Este outro sinal de proibição,
que tanto jeito fazia em muitas cidades portuguesas, transmite uma indicação que não deixa
margem para dúvidas (ver crónica “Os Cães”).
E, se for respeitado,
dará um forte contributo para o asseio da via pública e ... da sola dos nossos
sapatos.
Na maioria das cidades
alemãs existem ciclovias que por vezes ladeiam as ruas e avenidas. É proibido
aos ciclistas circularem no sentido oposto ao dos automóveis, que circulam ao
lado da ciclovia. Este cartaz recorda esta regra aos ciclistas, dizendo: “...se consegues ler este cartaz...estás a
circular no sentido errado."
Mas foi à entrada de uma casa de banho pública, situada num jardim de
Munique, que encontrei há vários anos atrás a mais invulgar das proibições. Uma
placa dizia o seguinte: “A pemanência neste local é autorizada exclusivamente
com a finalidade de satisfação da necessidade. Permanências injustificadas para
além do tempo considerado razoável para este efeito, ficam sujeitas a
penalização por perturbação da ordem pública.”
O cidadão alemão é em geral cumpridor das regras, mas de vez quando lá aparece um infractor :
![]() |
| Foto: "O senhor desculpe, mas...aqui não." |
Nos meus tempos de escola, conheci um professor alemão, que viveu em Portugal durante uns anos, e que dizia com graça: “Em Portugal, tudo aquilo que não é expressamente proibido, é autorizado. Na Alemanha, tudo aquilo que não é expressamente autorizado, é proibido.” É uma síntese engraçada, e que tem algum fundamento. Mas não se fique com a ideia de que existe uma obsessão proibidora na sociedade alemã. E para fazer o contraponto, aqui vos deixo dois exemplos de actividades que são proibidas em Portugal e que são toleradas na Alemanha.
- Na Alemanha é
permitida a publicidade a tabacos nas ruas, coisa que não se vê em Portugal já
há alguns anos:
- Nas feiras populares
portuguesas passou a ser proibido o tiro ao alvo com uma pressão de ar. Os
feirantes, coitados, lá tiveram de se
adaptar às regras impostas pela ASAE e oferecem agora o arremesso de bolas para
derrubar umas latas. No entanto, na Alemanha, país onde vigoram tantas regras
de segurança e princípios preventivos, é vulgar encontrar "barracas de tirinhos"
nas festas populares.
Quem não se lembra da tradicional pergunta: “Ó freguês, vai um
tirinho ?”
“Vai sim senhora! Até vão dois ou mais !”
* fonte: ARAG (seguradora)










