domingo, 10 de novembro de 2013

O Almoço

O trabalhador alemão, encara a pausa para almoço de forma bem diferente do portuga. São muitas as pessoas que não almoçam sentadas a uma mesa de restaurante ou de cantina. Muitos fazem apenas uma curta pausa para comer alguma insignificância e retomam em seguida o seu trabalho, sem sequer chegarem a sair da empresa. 
É comum ver colegas tirarem da sua mochila um pequeno farnel, e irem até à copa do departamento ou até mesmo ficarem sentados no seu posto de trabalho, e aí fazerem a sua furgal refeição. Em geral não se trata de alimentos que necessitem de ser aquecidos. O mais provável será trazerem uma sandes de pão escuro, recheada com queijo ou com alguma peça de charcutaria, e que poderá ser combinada com uma salada e com fruta.  Nos costumes lusos, está enraizado, que as duas principais refeições diárias sejam com alimentos cozinhados e quase sempre quentes. Ainda que haja hábitos muito diferenciados na população alemã, é comum entre os alemães fazer-se apenas uma refeição diária com alimentos quentes. A outra refeição, seja ela o jantar ou o almoço, tem frequentemente como base o pão escuro, que poderá ser acompanhado, por exemplo por uma salada, por queijos ou por peças de charcutaria. Tendo a Baviera sido uma região predominantemente agrícola, talvez esta prática provenha dos tempos em que as pessoas íam trabalhar para o campo e levavam consigo o farnel, em geral à base de pão.   

Mas, durante a hora de almoço, nem todos ficam na empresa. Os colegas que vão almoçar ao exterior, procuram preferencialmente locais onde se possa comer rapidamente e por um bom preço.  

Uma das possibilidades é a de recorrer a uma das várias padarias que existem nas imediações, que oferecem uma boa variedade de sandes com diferentes tipos de pão. O recheio poderá ser com queijo fatiado ou queijo mozzarela, com fiambre, presunto, salpicão ou um panado de carne, e a sandes incluirá sempre umas folhinhas de alface umas rodelas de tomate e pelo menos uma rodela de pepino. Para beber poderá optar-se entre diferentes tipos de cafés, ou de chás ou refrigerantes.

Foto: Variedade de sandes numa padaria.
Foto: Uma ou duas sandes destas fazem um almoço.

Uma outra opção, será a de ir almoçar a um talho. É que alguns destes estabelecimentos preparam pratos  simples e vendem-nos numa embalagem apropriada para o cliente poder levar consigo a refeição.

Foto: Sopa com semola em embalagem para levar  

Há quem leve a refeição para a copa da empresa, e faça aí o seu almoço. Estes talhos dispõem normalmente de algumas mesas elevadas, que oferecem a possibilidade aos clientes de comer ali mesmo em pé.


Fotos: refeição rápida num talho. / Fatia de porco assado com massa.

Gosto de ir almoçar a um destes talhos, que é um pouco mais completo que os demais, e que até dispõe de uns bancos altos, que sempre dão um pouco mais de comodidade. Mas, como se pode ver, há quem prefira sentar a mala e o casaco no banco, e comer em pé:



Uma terceira opção, para quem queira fazer um almoço rápido e barato, será a de ir almoçar a um pequeno self-service de um supermercado ou de um centro comercial. A ementa nestes locais é em geral fixa, oferecendo alguns pratos tradicionais simples, tais como salsichas, bife panado, perna e lombo de porco assado, frango assado e por vezes também pato assado. Como acompanhamento o freguês poderá escolher entre Knödel, Kartoffelsalat,  batatas fritas e o característico Sauerkraut * . A refeição é servida num tabuleiro e, nestes locais, existem mesas e cadeiras para os clientes.

 
Foto: lombo de porco assado com Knödel* e Sauerkraut*

Na generalidade, durante a semana de trabalho, o alemão evita entregar-se aos prazeres da mesa à hora de almoço. Existe uma noção generalizada, que a pausa de almoço deve ser breve e a refeição em si deve ser comedida. Há dias almocei com um colega, que vai sempre comer a uma das tais padarias. Enquanto comiamos as nossas sandes, que, de resto, são bastante saborosas e completas, perguntei-lhe:  “Então e não almoças de vez em quando uma refeição quente de faca e garfo?” “Não,” diz-me ele, “isso seria demasiado demorado, além de ser mais caro. E assim, sempre me sobra tempo para poder tratar de algum assunto pessoal durante a pausa de almoço.”   Vou encontrando com alguma frequência pessoas que almoçam a correr diariamente, mantendo durante a pausa de almoço, praticamente o mesmo nível de stress, que têm durante as horas de trabalho. Claro que estas práticas também existem em Portugal, mas parecem-me ser menos significativas. 

Aos fins de semana, nem sempre se pode descontrair à hora de almoço.  O sábado é o dia eleito pela maioria dos alemães para ir às compras. É que, diferentemente do que acontece em Portugal, o comércio está encerrado ao domingo. E, andando nas compras, muitas pessoas não querem perder tempo a fazer uma refeição formal e comem qualquer coisa que lhes permita continuar em andamento. É vulgar vê-los na rua a segurarem uma sandes na mão, ou vê-los sentados em bancos de jardim a comer pequenos snacks.

Foto: refeição rápida num banco da cidade.

Os que têm mais tempo, enchem cafés e esplanadas para fazerem uma pequena refeição mais descontraída. Alguns sentam-se nestes locais à hora de almoço para comerem apenas algum doce de colher ou uma fatia de bolo, acompanhado por uma bebida. Outros limitam-se a encomendar uma cerveja, que vão beberricando demoradamente. 



Parece que só aos domingos, é que se pode disfrutar de alguma descontracção ao almoço. É frequente encontrar nos restaurantes famílias sentadas à volta da mesa a fazerem o seu almoço de convívio.

Mas, voltando ao ambiente de trabalho numa empresa, há uma situação que já presenciei várias vezes e que ilustra bem a contenção que se pretende ter na pausa para o almoço. Imaginemos que nos encontramos numa demorada reunião, eventualmente com colegas que vieram de alguma filial distante, ou que estamos a participar numa acção de formação, que irá estender-se durante todo o dia. Nestes casos, é usual a empresa encomendar umas sandes, que são trazidas para a sala um pouco antes de se fazer a pausa de almoço. São oferecidas algumas bebidas, e com pratos, copos e guardanapos, todos almoçam ali na sala. Eles entendem que é uma forma de não perder o ritmo e de não prejudicar a eficácia dos trabalhos. Sairem todos para ir almoçar fora, seria considerado uma perda de tempo, além de constituir uma despesa bem maior. Assim, com as sandes servidas na sala, a empresa dispõe-se a oferecer a refeição a todos.

Para além das possibilidades de almoço referidas anteriormente, quando dispomos de tempo suficiente, poderemos optar por ir almoçar a um restaurante para fazer uma refeição com mais substância, e comer tranquilamente, como o portuga aprecia. Há uma oferta variada de restaurantes alemães, italianos e gregos. Os pratos são um pouco mais caros, mas sai-se com o estômago reconfortado. Vai um naco na grelha, acompanhado de batata assada em folha de alumínio com molho agridoce e uma salada colorida?

 


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- Knödel: poderão ser feitas com uma massa à base de batata ou de pão (como a açorda). A massa é bastante compacta e é moldada em forma de bola. É um acompanhamento tradicional para pratos de carne.  Normalmente combina bem com o molho da carne.
- Kartoffelsalat: pedaços de batata cozida envolvidos num molho de mayonese.  É servido frio.
- Sauerkraut: também conhecido entre nós como choucroute. Trata-se de couve branca, que é conservada por um processo de fermentação láctica. É temperada com cravinho ou cominhos e tem um sabor avinagrado característico.