O trabalhador alemão, encara a pausa
para almoço de forma bem diferente do portuga. São muitas as pessoas que não
almoçam sentadas a uma mesa de restaurante ou de cantina. Muitos fazem apenas uma curta pausa para comer alguma
insignificância e retomam em seguida o seu trabalho, sem sequer chegarem a sair
da empresa.
É comum ver colegas tirarem da sua
mochila um pequeno farnel, e irem até à copa do departamento ou até mesmo ficarem
sentados no seu posto de trabalho, e aí fazerem a sua furgal refeição. Em geral
não se trata de alimentos que necessitem de ser aquecidos. O mais provável será
trazerem uma sandes de pão escuro, recheada com queijo ou com alguma peça de charcutaria,
e que poderá ser combinada com uma salada e com fruta. Nos costumes lusos, está enraizado, que as
duas principais refeições diárias sejam com alimentos cozinhados e quase sempre
quentes. Ainda que haja hábitos muito diferenciados na população alemã, é comum
entre os alemães fazer-se apenas uma refeição diária com alimentos quentes. A
outra refeição, seja ela o jantar ou o almoço, tem frequentemente como base o
pão escuro, que poderá ser acompanhado, por exemplo por uma salada, por queijos
ou por peças de charcutaria. Tendo a Baviera sido uma região predominantemente
agrícola, talvez esta prática provenha dos tempos em que as pessoas íam
trabalhar para o campo e levavam consigo o farnel, em geral à base de pão.
Mas,
durante a hora de almoço, nem todos ficam na empresa. Os colegas que vão
almoçar ao exterior, procuram preferencialmente locais onde se possa comer
rapidamente e por um bom preço.
Uma das
possibilidades é a de recorrer a uma das várias padarias que existem nas
imediações, que oferecem uma boa variedade de sandes com diferentes tipos de
pão. O recheio poderá ser com queijo fatiado ou queijo mozzarela, com fiambre,
presunto, salpicão ou um panado de carne, e a sandes incluirá sempre umas
folhinhas de alface umas rodelas de tomate e pelo menos uma rodela de pepino.
Para beber poderá optar-se entre diferentes tipos de cafés, ou de chás ou refrigerantes.

Foto: Variedade de sandes numa padaria.
Foto: Uma ou duas sandes destas fazem um almoço.
Uma outra opção, será a de ir
almoçar a um talho. É que alguns destes estabelecimentos preparam pratos simples e vendem-nos numa embalagem
apropriada para o cliente poder levar consigo a refeição.
Foto: Sopa com semola em embalagem para levar
Há quem leve a refeição para a copa
da empresa, e faça aí o seu almoço. Estes talhos dispõem normalmente de algumas
mesas elevadas, que oferecem a possibilidade aos clientes de comer ali mesmo em
pé.
Fotos: refeição rápida num talho. / Fatia de porco assado com massa.
Gosto de ir almoçar a um destes
talhos, que é um pouco mais completo que os demais, e que até dispõe de uns
bancos altos, que sempre dão um pouco mais de comodidade. Mas, como se pode
ver, há quem prefira sentar a mala e o casaco no banco, e comer em pé:
Uma terceira opção, para quem queira
fazer um almoço rápido e barato, será a de ir almoçar a um pequeno self-service de um supermercado ou de um
centro comercial. A ementa nestes locais é em geral fixa, oferecendo alguns
pratos tradicionais simples, tais como salsichas, bife panado, perna e lombo de
porco assado, frango assado e por vezes também pato assado. Como acompanhamento
o freguês poderá escolher entre Knödel,
Kartoffelsalat, batatas fritas e o característico Sauerkraut * . A refeição é servida num
tabuleiro e, nestes locais, existem mesas e cadeiras para os clientes.
Foto: lombo de porco assado com Knödel* e Sauerkraut*
Na generalidade, durante a semana de
trabalho, o alemão evita entregar-se aos prazeres da mesa à hora de almoço. Existe
uma noção generalizada, que a pausa de almoço deve ser breve e a refeição em si
deve ser comedida. Há dias almocei com um colega, que vai sempre comer a uma
das tais padarias. Enquanto comiamos as nossas sandes, que, de resto, são
bastante saborosas e completas, perguntei-lhe: “Então e não almoças de vez em quando uma
refeição quente de faca e garfo?” “Não,” diz-me ele, “isso seria demasiado demorado,
além de ser mais caro. E assim, sempre me sobra tempo para poder tratar de
algum assunto pessoal durante a pausa de almoço.” Vou encontrando com alguma frequência pessoas que almoçam a correr diariamente, mantendo durante a pausa de almoço, praticamente o mesmo nível de stress, que têm durante as horas de trabalho. Claro que estas práticas também existem em Portugal, mas parecem-me ser menos significativas.
Aos fins
de semana, nem sempre se pode descontrair à hora de almoço. O sábado é o dia eleito pela maioria dos
alemães para ir às compras. É que, diferentemente
do que acontece em Portugal, o comércio está encerrado ao domingo. E, andando
nas compras, muitas pessoas não querem perder tempo a fazer uma refeição formal
e comem qualquer coisa que lhes permita continuar em andamento. É vulgar vê-los
na rua a segurarem uma sandes na mão, ou vê-los sentados em bancos de jardim a
comer pequenos snacks.
Foto: refeição rápida num banco da cidade.
Os que têm mais tempo, enchem cafés
e esplanadas para fazerem uma pequena refeição mais descontraída. Alguns sentam-se
nestes locais à hora de almoço para comerem apenas algum doce de colher ou uma
fatia de bolo, acompanhado por uma bebida. Outros limitam-se a encomendar uma
cerveja, que vão beberricando demoradamente.
Parece que só aos domingos, é que se
pode disfrutar de alguma descontracção ao almoço. É frequente encontrar nos restaurantes famílias sentadas à volta da mesa a fazerem o seu almoço de convívio.
Mas, voltando ao ambiente de
trabalho numa empresa, há uma situação que já presenciei várias vezes e que
ilustra bem a contenção que se pretende ter na pausa para o almoço. Imaginemos
que nos encontramos numa demorada reunião, eventualmente com colegas que vieram
de alguma filial distante, ou que estamos a participar numa acção de formação,
que irá estender-se durante todo o dia. Nestes casos, é usual a empresa encomendar
umas sandes, que são trazidas para a sala um pouco antes de se fazer a pausa de
almoço. São oferecidas algumas bebidas, e com pratos, copos e guardanapos, todos
almoçam ali na sala. Eles entendem que é uma forma de não perder o ritmo e de
não prejudicar a eficácia dos trabalhos. Sairem todos para ir almoçar fora,
seria considerado uma perda de tempo, além de constituir uma despesa bem maior.
Assim, com as sandes servidas na sala, a empresa dispõe-se a oferecer a
refeição a todos.
Para além das possibilidades de
almoço referidas anteriormente, quando dispomos de tempo suficiente, poderemos
optar por ir almoçar a um restaurante para fazer uma refeição com mais
substância, e comer tranquilamente, como o portuga aprecia. Há uma oferta
variada de restaurantes alemães, italianos e gregos. Os pratos são um pouco
mais caros, mas sai-se com o estômago reconfortado. Vai um naco na grelha,
acompanhado de batata assada em folha de alumínio com molho agridoce e uma
salada colorida?
*
- Knödel: poderão
ser feitas com uma massa à base de batata ou de pão (como a açorda). A massa é
bastante compacta e é moldada em forma de bola. É um acompanhamento tradicional
para pratos de carne. Normalmente
combina bem com o molho da carne.
- Kartoffelsalat: pedaços de batata cozida envolvidos num molho de mayonese. É servido frio.
- Sauerkraut: também conhecido entre nós como choucroute. Trata-se
de couve branca, que é conservada por um processo de fermentação láctica. É
temperada com cravinho ou cominhos e tem um sabor avinagrado característico.