Há uns anos atrás correspondia-me
com um amigo português, que se encontrava a morar na Alemanha. Enviava-lhe as
cartas para a sua morada na rua Konrad Adenauer (em quase todas as cidades há
uma rua dedicada a este importante estadista alemão), escrevendo no envelope
por baixo do nome do destinatário: Konrad Adenauer Strasse, 9 , seguido do
código postal e da respectiva cidade. Aquela morada causava-me alguma
estranheza. Estando ele a tirar um curso na Alemanha, sem um rendimento mensal
regular e fazendo uma vida poupada e sem luxos, como era possivel estar a morar
numa vivenda? Pois se a morada tinha apenas número de porta, é porque
certamente se tratava de uma vivenda ... pensava eu.
Mas o que eu na altura não sabia, é que
na Alemanha não é usual indicar nas moradas o andar e o lado esquerdo ou
direito de um apartamento. As várias caixas de correio de um prédio são
identificadas através do nome de família do ou dos moradores, que é colocado
num pequeno letreiro. Deste modo, o carteiro ao fazer a distribuição da
correspondência, tem de procurar a caixa com o apelido do destinatário para lá
enfiar a respectiva carta. Por isso, não convém identificar o destinatário
apenas com o primeiro nome ou com uma alcunha, pois o carteiro ficará sem saber
em qual das caixas deverá entregar a correspondência.
O mesmo princípio das caixas de
correio é utilizado nas campainhas de porta. Se formos fazer uma
visita ao sr. Maier, ao chegar ao prédio, teremos de procurar onde está a
campaínha com o seu apelido. E, se for a nossa primeira visita a casa do sr. Maier, ele
terá de nos dizer através do intercomunicador ou gritar-nos através da escada, qual é o seu andar.
No caso das campaínhas, é frequente
os dísticos serem iluminados para permitir a sua leitura à noite. Caso o apartamento seja habitado por um casal, em que cada um deles conserva o
seu apelido de solteiro, é habitual o dístico indicar os dois apelidos separados por uma
barra, como no caso da sra. Koller e do sr. Bachmeier:
O dístico seguinte parece contar-nos uma história...
Actualmente a sra. Güngör vive aqui sózinha. Em tempos foi casada com o sr. Thanner, tendo adoptado na altura o apelido do marido. Agora, que se encontra divorciada, voltou a usar o seu nome de solteira. E, como precaução, acrescenta por baixo em letra miúda, o seu anterior apelido, para o caso de lhe ser endereçada alguma carta ainda com o seu nome de casada. Em letra pequena, claro, pois foram tempos que agora prefere esquecer...
Quando nos mudamos para um novo apartamento, deveremos ter o cuidado de, com brevidade, afixar o nosso nome na caixa de correio e também na campaínha. Senão deixamos de receber a nossa correspondência e, o homem que vem entregar a nova mobília, não saberá para onde tocar. E, quando um dia deixarmos o apartamento, teremos de retirar os dísticos com o nosso nome.
O dístico seguinte parece contar-nos uma história...
Actualmente a sra. Güngör vive aqui sózinha. Em tempos foi casada com o sr. Thanner, tendo adoptado na altura o apelido do marido. Agora, que se encontra divorciada, voltou a usar o seu nome de solteira. E, como precaução, acrescenta por baixo em letra miúda, o seu anterior apelido, para o caso de lhe ser endereçada alguma carta ainda com o seu nome de casada. Em letra pequena, claro, pois foram tempos que agora prefere esquecer...
Quando nos mudamos para um novo apartamento, deveremos ter o cuidado de, com brevidade, afixar o nosso nome na caixa de correio e também na campaínha. Senão deixamos de receber a nossa correspondência e, o homem que vem entregar a nova mobília, não saberá para onde tocar. E, quando um dia deixarmos o apartamento, teremos de retirar os dísticos com o nosso nome.
Um português, habituado a um sistema bem diferente, pergunta-se porque razão será que identificam caixas de correio e campaínhas com o nome de família? Uma das vantagens, segundo me disseram, é que desta forma a correspondência não fica esquecida na caixa de correio se o destinatário entretanto tiver mudado de morada. Bem, poderá ser um argumento, mas não me parece que constitua uma verdadeira vantagem face ao sistema a que estamos acostumados. Pensando bem, o que encontro de vantajoso neste sistema, é que nos podemos dirigir ao nosso vizinho e tratá-lo pelo nome, evitando aquela insuportável fórmula de : "Ó vizinho,..." .






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