terça-feira, 10 de junho de 2014

As Águas

Na Alemanha, há uns vinte e tal anos atrás, quando nos sentávamos num café ou restaurante e pediamos uma água, era certo que nos iriam trazer uma água gaseificada.



 O cliente alemão só consumia água com gás, e como tal, nem se colocava a dúvida ao empregado se o cliente desejaria beber uma água diferente. Aliás, em muitos locais nem sequer havia água sem gás engarrafada . Recordo-me de, nessa altura, pedir água sem gás à refeição e de me responderem: “Ah, sem gás não temos. Prefere que lhe traga um copo com água da torneira?”  Se falassemos sobre esta preferência no nosso círculo de amigos alemães, alguém iria certamente gracejar: “Hmm, água sem gás?!  Só mesmo para lavar os dentes.”  Este hábito desagrava naturalmente ao portuga, que sempre esteve acostumado às suas águas lusas, que são lisas geralmente (como agora se passou também a designar a água sem gás). E, ainda por cima, a água mais comercializada por esses anos na Alemanha era fortemente gaseificada, uma autêntica água “borbulhante”.
Os tempos mudaram e a influencia exterior contribuiu para o aparecimento de águas engarrafadas sem gás e também com diferentes intensidades de gaseificação. Muitas marcas apresentam agora a sua água em 3 diferentes variantes:
“Still” :  silenciosa, ou seja, sem gás;
“Sanft” / “Medium” :  suave / média, isto é, com gaseificação moderada;
“Classic” :  clássica, o que remete para um passado não muito distante, quando só se comercialisava a tal água "borbulhante".
Hoje em dia, nos cafés ou restaurantes, já se tornou comum perguntarem ao cliente se prefere a sua água com ou sem gás.

Falando ainda sobre águas, um outro costume que poderá surpreender o portuga, é o de o empregado servir a água num copo, como se se tratasse de uma imperial.



E, nos casos em que a água nos é trazida em garrafa, não é imperativo que o empregado abra a garrafa à nossa frente. Por vezes trazem-nos no tabuleiro a garrafa de água já aberta. Como sabemos, em Portugal, se o empregado não abrir a garrafa de água à frente do cliente, arrisca-se a ouvir uma reclamação e a ter de ir buscar uma garrafa por abrir.

E, quem vai aos supermercados comprar água engarrafada, não irá encontrar os garrafões de 5 litros a que o portuga há muitos anos está habituado. Por aqui, o maior volume de água engarrafada que até agora encontrei, foi de ... 2 litros.

Foto:    1,0 litros - 1,5 litros - 2,0 litros

Na minha opinião, bem podiam aumentar o volume de água por embalagem, que os clientes não se sentiriam prejudicados e contribuiriam para reduzir a produção de garrafas de plástico. Mas sem cair nos exageros de algumas marcas de água portuguesas, que têm vindo a aumentar o volume de água por embalagem e já apresentam pesados garrafões de 6 e 7 litros. Por este andar, deverá estar para breve o mega-garrafão de 10 litros, que ... não vai mesmo dar jeito nenhum !

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