O sol escondeu-se e os candeeiros já estão acesos. Por trás da janela observo a rua que se encontra quase deserta. Um homem avança ao longo do passeio conduzindo o seu cão pela trela. O cão puxa a trela com força, obrigando o seu dono a inclinar-se ligeiramente para trás de forma a refrear a energia do animal. Um cão daquele tamanho deve sentir-se algo oprimido de viver num apartamento e sempre ansioso de ir à rua. O canídeo vai farejando à esquerda e à direita, deixando a sua marca odorífera primeiro na parede do prédio, depois numa árvore e a seguir na roda de um carro, que, por acaso, é do meu vizinho de cima. Um pouco adiante o cão pára junto a um candeeiro público, flete ligeiramente as patas traseiras , colocando-se numa posição característica, que não deixa dúvidas sobre os vestígios que ali irão ficar sobre a calçada. Uma vez satisfeita a necessidade do animal, prossegue o passeio, mas é logo de seguida interrompido por um cão vadio que vem a correr pela rua abaixo. Ao verem-se, os dois cães desatam a ladrar sofregamente, fazendo um tal barulho, que alguns moradores do prédio em frente vêm à janela ver o que se passa. A custo, o dono lá consegue dominar o seu cão e juntos dobram a esquina, desaparecendo assim da minha vista.
Poderíamos ter assistido a uma cena como esta numa qualquer cidade portuguesa, onde não é raro sermos perturbados por cães que ladram insistentemente, ou termos a roda do carro manchada por algum cão cujo dono permitiu que o seu bichano ali se aliviasse, ou sermos perseguidos por um cão a ladrar que não nos deixa prosseguir o nosso jogging ou passeio de bicicleta, ou sermos ameaçados por um que parece querer saltar a vedação para nos atacar, ou ainda, pisarmos inadvertidamente o dejecto de um canídeo que se encontrava bem no meio do caminho. Haverá algum cidadão português, que não tenha ainda passado pela desagradável e fedorenta experiência de ter de limpar a sola do sapato, depois de ter pisado os restos de "uma digestão canina”?
É por tudo
isto, que o portuga fica admirado, ao verificar que na Alemanha a relação entre
cães e humanos é muito mais disciplinada e ordeira . Dir-se-ia que os cães
alemães andaram todos na escola. E os seus donos também parecem ter recebido alguma formação, pois, por aquilo que vou observando, têm mais controlo sobre os seus
animais, do que aquilo que estou habituado a ver em Portugal. Por aqui, não se
vêem “prendas” de cão espalhadas pelo passeio, nem se ouvem cães a ladrar por
tempos infindáveis, nem se vêem cães abandonados a vaguear pela cidade. Nas idas
à rua os donos levam o seu animal sempre pela trela. Até mesmo, como neste caso, quando o dono
vai de bicicleta:
em alternativa,
o animal poderá ir na bagageira:
e, também há
quem leve o seu “melhor amigo” na sacola, quando vai às compras,
ou quando viaja de comboio:
Este nível generalizado de disciplina, permite que os
cães entrem, conduzidos com trela, na maioria dos estabelecimentos comerciais,
tais como lojas de vestuário, restaurantes, livrarias, cafés, centros
comerciais e tantos outros espaços, sem que se verifiquem distúrbios, ou que o
espaço seja conspurcado.
Aqui ficam alguns exemplos:
no
pronto-a-vestir:

na bijouteria: na livraria:
no
restaurante: no café:
no centro
comercial:
No
entanto, em lojas de venda de alimentos, como supermercados e talhos, a sua
entrada não é permitida. Haja tolerância para com os animais, mas nada de
exageros. Imagine-se o que se passaria na cabeça de uma cão, ao ver-se rodeado
de suculentos e aromáticos bifes e costeletas... Nestes casos, os donos deixam
o seu cão preso a algum varão ou poste que se encontre por ali.

Alguns supermercados chegam mesmo a dispor de um varão próprio para “estacionamento” de cães.
![]() |
| Foto: Parqueamento para cães |
E depois
de encontrar o exemplo que se segue, fiquei de facto convencido que
os cães alemães frequentam mesmo a escola. Caso contrário, como
conseguiriam eles entender esta sinalética que lhes é destinada ?!?












2 comentários:
Devem mesmo ir à escola! Aqui no Luxemburgo as pessoas levam os cães a uma escola para eles ganharem boas maneiras e para os donos aprenderem como devem ensinar os cães! :-)
E ainda acrescento...a maior parte das vezes o problema está nos donos que não sabem educar os cães. ..
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